As vezes fico pensando nessa coisa de gauche. Será que quando nasci fui também conduzido a seguir o caminho contrário? Não, acho que não. Não mereceria tanto, merecia nem caminhar. Mas já que, talvez por algum descuido, me deram um pouco dessa habilidade, cuidaram para que os sentidos não fossem assim tão apurados. Por isso acredito vagar, não contra o fluxo, mas aleatóriamente, sem saber pra onde vou nem para onde vão os outros. Talvez tenha existido um tal de um anjo que me mandou vagar como ébrio, vai se saber?!
Outras vezes até penso que essa história de gauche é que tomou a todos, e eu é que sou o único a prosseguir essa vereda com austeridade. É, acho que é isso, todos vagam desconcertados e para mim, só para mim é que o mundo parece ter sincronia. Me sinto, hoje, como Camões; quando disse:
"Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado."
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
DO TÍTULO

Seguindo passos já dados por ninguém mais ninguém menos do que Machado de Assis, tentarei explicar o título ou nome desse blog. Sei que é audácia minha querer fazer algo já feito por uma figura tão solene, como é o grande e eterno Machado, e se fossemos seguir conselhos de outro amigo, Alberto Caeiro, é que deixaríamos de fazê-lo. Ele com certeza diria:
- Nunca ouviste dizer o título.
O título só fala do título.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.
Brincadeiras à parte, e que me perdoe o Caeiro, gostaria de dar explicação para evitar indagações ou até mesmo provocá-las. Quando pensei no título, pressionado pela pressa e tentando ao mesmo tempo vasculhar a todos os meus poucos pensamentos a fim de encontrar algo que combinasse de alguma forma com o objetivo do blog e que carregasse consigo uma certa sonoridade, não sabia se conseguiria e confesso que não sei se consegui atingir ao meu objetivo, ou sequer consegui chegar perto disso, mas foi esse o título que primeiro me ocorreu e que supostamente cumpria o papel de ter tais características. Esse mesmo que está aí: Chá Celeste
Me veio à mente porque quando penso em uma dose diária de algo com um sabor leve que cai graciosamente sobre o solo e corpo da folhagem, surge em mim a expressão definidora dessas características: Um chá que desce dos céus.
Assim diariamente, como o maná servia de alimento aos Hebreus que fugiam do Egito em busca da terra prometida, espero que esse blog sirva como um pequeno alimento de lazer às pessoas que a ele leêm, e que em pequenas porções como o orvalho, umideça às mentes solidificadas pela agonia do sistema.
Confesso que a última postagem foi feita de maneira singela, e até mesmo superficial. Sem muita cerimônia. Fi-lo porque qui-lo hahaha. Na verdade não sou bom com formalidades e queria que a inauguração, se é que alguma existiu, fosse feita de maneira simples e corriqueira. Agradeço aos que leram.
domingo, 30 de novembro de 2008
Insônia
"Doce é sonhar, é pensar em você". Já dizia o grande Tom Jobim que me acompanha nesse momento com os acordes de "Esse seu olhar" enquanto tento, quase que em vão, escrever alguma coisa para batizar esse pobre espaço; onde posso ter alguma voz nesse mundo perplexo de informações e movimentos. Decidi escrever pelo simples prazer de fazê-lo e por, certamente, ser acompanhado por ela, ninguém mais do que a minha companheira noturna, Insônia. Podia até ser uma Sônia, ainda mais se fosse graciosa. Mas não, quem vem é sempe ela. Insônia que não me deixa dormir -perdoem-me o pleonasmo- e não me traz divertimento. Como posso então sonhar e pensar em alguém, se pra sonhar preciso dormir? Ahh não, assim fica difícil, e faltam-me as palavras. Desisto agora!
Na verdade insisto. Desisto de escrever e insistirei em dormir. Ao menos em deitar. Assim livro minha consciência do peso de que o dia de amanhã será cansado porque eu fui dormir tarde.
Melhor é dizer: "Ontem não consegui dormir".
Na verdade insisto. Desisto de escrever e insistirei em dormir. Ao menos em deitar. Assim livro minha consciência do peso de que o dia de amanhã será cansado porque eu fui dormir tarde.
Melhor é dizer: "Ontem não consegui dormir".
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